Golpes virtuais: conheça os sinais de alerta e saiba como proteger seus dados na internet

Especialista explica quais são os golpes mais comuns, os principais sinais de fraude e como a investigação digital pode auxiliar vítimas e empresas.



O número de golpes praticados pela internet cresce a cada ano no Brasil. Criminosos utilizam redes sociais, aplicativos de mensagens, sites falsos e até inteligência artificial para enganar vítimas e obter vantagens financeiras. Diante desse cenário, especialistas alertam que informação e prevenção continuam sendo as principais formas de proteção.

Segundo Nicolle Garrido, investigadora digital, especialista em OSINT (Open Source Intelligence) e CEO da Investigação Digital Pro (IDPRO), os criminosos estão cada vez mais preparados para explorar a confiança das pessoas.

"Os golpes evoluem conforme a tecnologia evolui. Hoje é comum encontrarmos criminosos utilizando perfis falsos, sites que imitam empresas conhecidas e até recursos de inteligência artificial para convencer as vítimas de que estão falando com uma pessoa ou instituição confiável."

Os golpes mais comuns

Entre as fraudes mais frequentes estão os golpes envolvendo falsas lojas virtuais, perfis falsos em redes sociais, estelionato amoroso, falsas oportunidades de investimento, boletos fraudulentos, clonagem de contas em aplicativos de mensagens e links enviados por e-mail ou SMS que direcionam para páginas falsas.

Em muitos casos, o prejuízo financeiro é acompanhado da exposição de dados pessoais, que podem ser utilizados em novas tentativas de fraude.

Quais sinais merecem atenção?

Embora cada golpe tenha características próprias, alguns comportamentos costumam se repetir. Por isso, especialistas em segurança digital recomendam desconfiar quando houver:

  • Ofertas muito abaixo do valor de mercado: por exemplo, um celular de última geração sendo vendido por um preço muito inferior ao praticado em lojas confiáveis. Os golpistas usam promoções "boas demais para ser verdade" para despertar o interesse da vítima e fazê-la agir sem pensar.
  • Pedidos de pagamento urgente: mensagens afirmando que uma promoção termina em poucos minutos ou que uma conta será bloqueada caso o pagamento não seja realizado imediatamente. O objetivo é criar pressão e impedir que a pessoa verifique a veracidade da informação.
  • Solicitação de códigos enviados por SMS ou aplicativos: criminosos podem se passar por bancos, empresas ou até conhecidos para pedir o código de confirmação recebido no celular. Com esse código, podem acessar contas ou aplicativos da vítima.
  • Links recebidos de contatos desconhecidos: mensagens com promessas de brindes, rastreamento de encomendas, vagas de emprego ou supostas pendências financeiras podem direcionar a páginas falsas criadas para roubar dados pessoais e bancários.
  • Perfis recém-criados ou com poucas informações: em redes sociais e aplicativos de mensagens, perfis sem foto, com poucos seguidores ou criados recentemente podem indicar tentativas de fraude.
  • Pedidos para transferências bancárias em nome de terceiros: é comum que golpistas aleguem problemas técnicos ou urgências para convencer a vítima a enviar dinheiro para contas de pessoas diferentes daquelas com quem ela acredita estar negociando.

Segundo Nicolle Garrido, a pressa é uma das principais aliadas dos golpistas.

Além disso, muitos desses crimes utilizam uma técnica conhecida como engenharia social. Em vez de explorar falhas em sistemas de computador, os criminosos exploram o comportamento humano, manipulando emoções como medo, urgência, curiosidade, confiança ou até solidariedade para convencer a vítima a tomar uma decisão precipitada.

Essa prática está presente em diversos tipos de golpes, como falsas centrais de atendimento, perfis clonados em aplicativos de mensagens, golpes de compras online, falsas ofertas de emprego e mensagens que simulam comunicações de bancos ou órgãos públicos. Em todos esses casos, o objetivo é levar a vítima a fornecer informações confidenciais, clicar em links maliciosos ou realizar transferências financeiras sem perceber que está sendo enganada.

Como destaca Nicolle Garrido:

"Grande parte das fraudes depende da reação imediata da vítima. Quando a pessoa para, verifica as informações e confirma a origem do contato, as chances de cair em um golpe diminuem consideravelmente."

Como proteger seus dados

Embora os golpes digitais estejam cada vez mais sofisticados, algumas medidas simples podem reduzir significativamente os riscos de fraudes e impedir que criminosos utilizem técnicas de engenharia social para enganar as vítimas.

Entre as principais recomendações de especialistas em segurança digital estão:

  • Utilizar senhas fortes e diferentes para cada serviço, evitando combinações óbvias, como datas de nascimento ou sequências numéricas. Sempre que possível, utilize um gerenciador de senhas para armazená-las com segurança.
  • Ativar a autenticação em dois fatores (2FA), adicionando uma camada extra de proteção às contas. Assim, mesmo que a senha seja descoberta, o acesso dependerá de uma segunda confirmação.
  • Manter celulares, computadores e aplicativos sempre atualizados, pois as atualizações frequentemente corrigem falhas de segurança que podem ser exploradas por criminosos.
  • Verificar se os sites utilizam conexão segura (HTTPS) antes de inserir dados pessoais ou bancários. Embora isso não garanta a legitimidade da página, é um requisito básico de segurança.
  • Evitar compartilhar informações pessoais em redes sociais, como endereço, documentos, rotina diária ou dados financeiros, que podem ser utilizados por golpistas para construir ataques mais convincentes.
  • Confirmar informações antes de realizar pagamentos, transferências ou fornecer dados pessoais, especialmente quando o pedido envolver urgência ou vier por mensagens, e-mails ou ligações inesperadas.

Além dessas medidas, é fundamental manter uma postura crítica diante de contatos inesperados. Mensagens que criam senso de urgência, prometem ganhos fáceis, oferecem prêmios ou solicitam ações imediatas costumam fazer parte de estratégias de engenharia social. Da mesma forma, pedidos incomuns feitos por familiares, amigos ou empresas devem ser confirmados por outro meio de comunicação, como uma ligação telefônica ou uma conversa presencial.

A prevenção continua sendo a principal ferramenta contra as fraudes digitais. Antes de clicar em um link, compartilhar informações ou realizar qualquer transação financeira, vale a pena dedicar alguns minutos para verificar a autenticidade do contato. Na maioria dos casos, essa simples atitude é suficiente para evitar prejuízos financeiros e proteger dados pessoais.

Quando a investigação digital pode ajudar?

Em situações de golpes, desaparecimento de informações, perfis falsos ou fraudes empresariais, a investigação digital pode contribuir para reunir evidências e identificar informações relevantes para o esclarecimento dos fatos.

Segundo Nicolle Garrido, todo o trabalho deve ser realizado dentro da legislação, utilizando inteligência, análise técnica e metodologias reconhecidas.

"Muitas pessoas acreditam que investigar significa invadir contas ou acessar informações ilegalmente. Na realidade, a investigação digital séria trabalha com inteligência, análise técnica e coleta de evidências obtidas por meios lícitos, respeitando a legislação e os direitos individuais."

A especialista ressalta que agir rapidamente após perceber um golpe também faz diferença, principalmente para preservar evidências que poderão auxiliar na investigação.

Tecnologia também deixa rastros

Mesmo quando criminosos tentam ocultar suas ações, diversas atividades realizadas no ambiente digital deixam vestígios que podem contribuir para uma investigação.

Técnicas de OSINT (Open Source Intelligence) permitem analisar informações públicas, cruzar dados e identificar conexões que muitas vezes passam despercebidas pelas vítimas.

Embora cada caso tenha suas particularidades, a combinação entre conhecimento técnico, inteligência e análise de dados pode auxiliar pessoas físicas, empresas e profissionais do Direito na busca por respostas.

Informação é a melhor defesa

À medida que a tecnologia avança, também evoluem as estratégias utilizadas pelos criminosos. Por isso, manter-se informado, adotar boas práticas de segurança digital e procurar profissionais especializados quando necessário são atitudes fundamentais para reduzir riscos.

Como destaca Nicolle Garrido:

"A prevenção continua sendo a ferramenta mais eficaz contra os golpes virtuais. Quanto mais informadas as pessoas estiverem, menores serão as oportunidades para quem tenta agir de forma criminosa."


Saiba mais sobre a IDPRO

A Investigação Digital Pro (IDPRO) é especializada em investigação digital, inteligência em fontes abertas (OSINT) e produção de evidências digitais, atendendo pessoas físicas, empresas e profissionais do Direito.

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